 Eu até gosto de animais, mas nunca tive talento algum para criá-los ou conviver com eles devido ao meu estilo de vida workaholic-esquizo-egocêntrico. Já o Jason é o contrário: além de quatro cachorros (não teve o quinto por que eu mandei um 'ou-eu-ou-ele'), tem uma gaiola de pássaros com população flutuante. E não é que um belo dia ele me chega com uma tartaruga (ou um jaboti, ou um cágado, WHAT-EVER), lança no meu micro-jardim na sacada e determina que daquele momento em diante eu teria que coabitar com ela? Disse que tinha ganho de aniversário, mas que ela não poderia conviver com os cachorros dele e por isso viveria comigo. Protestei o máximo que eu pude, disse que comigo as plantas morriam, que dirá uma tartaruga. Ele não só foi inflexível, como fez questão de fazer as apresentações formais: "Fiona, Antaggio, Antaggio, Fiona."
"Fio-whaaaaaaaat?" foi a minha resposta, enquanto a Fiona (já que ela realmente tinha nome) resolveu se esconder dentro do casco com medo da reação do seu novo roomate que também não deve ter feito uma boa primeira impressão. Enfim, resignados os dois à coexistência, aquiesci resmungando que ela seria de responsabilidade exclusiva dele, enquanto ela foi se esconder atrás dos bambus do meu terraço. Todos os dias ao voltar do trabalho olho para o jardim sabendo que de algum lugar está batendo um coração de um outro ser vivo, mas ainda não tive a coragem de ir lá cumprimentá-la formalmente. O Jason se encarrega de verificar se ela está viva toda vez que está por aqui, e por enquanto estamos vivendo assim. Pode ser que um dia eu e Fiona sejamos grandes amigos, mas só depois que o medo e a timidez de ambas as partes passarem.

E a tal da Victoria Abril acabou de lançar um CD só de Bossa Nova, cantado em inglês, francês e português (com um sotaque até que charmoso). E está no Brasil fazendo turnê promocional. Parece que ao passar por Maresias, resolveu relembrar seus tempos almodovarianos e foi tomar banho de mar só de calcinha, para o alvoroço dos transeuntes.
 Cuspi para cima que não havia visto nada da Mostra, mas no último sábado acabei vendo o Hard Pill, filme que parte de um roteiro interessante sobre um homem gay que, insatisfeito com a sua vida, resolve tomar uma pílula experimental para virar hetero. Quando a pílula (surpreendentemente) surte efeito, começa um efeito cascata inesperado que te faz refletir sobre o que é sexualidade. Recomeindo.
Escrito por Antaggio às 21h27
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