 Quando eu li o livro, achei a idéia interessante. Lembro de ter pensado: "é um bom livro pornográfico." Sendo que era a primeira vez que eu usava a palavra "pornográfico" num sentido mais ampliado, quase que acadêmico, mas sem perder o senso de sacanagem. Pensei que as pessoas bem que podiam ter um pouco mais de pornografia em suas vidas, deixando a hipocrisia de lado e encarando seus desejos de uma forma franca. Mas não sei bem porquê, o livro se perdeu na memória. E quando eu vi que ia virar peça, não me entusiasmei muito, achei que alguém ia usar o texto para fazer uma peça apelativa e cheia de piadinhas de duplo sentido para caçar níqueis.
Bom, para não perder o costume, eis-me aqui mais uma vez dando o braço a torcer: A Casa dos Budas Ditosos não só me surpreendeu, mas conseguiu ampliar o alcance e profundidade do livro de uma forma espantosa. Fernanda Torres confere uma credibilidade desconcertante ao personagem principal, falando de uma forma direta e cândida de tudo o que faz as senhoras desprevenidas corar com revolta. E fazendo rir como uma consequência saudável. É sexo como eu nunca experimentei antes.
Escrito por Antaggio às 18h15
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