Sabe um desses dias que vc acha que vai fazer uma coisa bem simples e por uma série de encontros e coincidências acaba saindo totalmente fora do planejado? Pois é, ontem quando eu acordei, depois de uma maratona de 15h de trabalho por dia na semana passada, achei que ia passar o dia largado emfrente ao DVD curtindo a chuva lá fora. Acabei sentado na primeira fileira de um desfile do SPFW ainda imaginando como é que eu tinha me deixado levar para lá. Não me entenda mal, de vez em quando eu gosto de um fashion hype aqui e e ali, mas eu não tinha a menor intenção de passar perto do Anhembi nesse finde depois da semanaque eu tinha tido.
Anyway, acabei espremido entre a repórter do de um site de colunismo social, um fotógrafo de uma revista do mesmo gênero e uma socialite wannabee (which shall remain nameless), na frente do batalhão de fotógrafos com suas lentes fálicas se projetando acima de nossas cabeças. Desnecessário dizer que a tal da socialite e a colunista social se debruçavam sobre mim e o fotógrafo para trocar hipocrisias, farpas e falsos elogios mútuos, num ritual de acasalamento que acabou no clímax esperado: a colunista social chamou o fotógrafo encarregado e tirou uma foto da socialite, que na hora emprestou uma bolsa de grife de alguém próximo para ostentar em destaque à frente do corpo. Eu e o fotógrafo nos olhamos aliviados com esse desfecho, mas a tranquilidade não durou por muito tempo.
À essa altura o desfile já estava atrasado quase uma hora, e os fotógrafos estavam mais do que impacientes. As reclamações começaram como um zum-zum-zum e froam crescendo para gritos a plenos pulmões de "COMEÇA AÍ, PORRA!" , "TENHO FAMÍLIA ME ESPERANDO!". Os fashionistas de plantão olhavam para os fotógrafos com um misto de indignação e divertimento pela inusitada situação. Confesso que mesmo eu, apesar de estar bem na frente deles e com os ouvidos sofrendo pelos gritos, achei engraçado ouvir esses impropérios num ambiente que teoricamente deveria primar pela sofisticação e ar blasé.
A agitação foi tanta que, quando finalmente o desfile começou, os fotógrafos já haviam perdido o auto-controle motivados pelo coletivo de indignação e já haviam se transformado numa turma de adolescentes num estádio de futebol. Para piorar a situação o desfile foi pensado como algo dramático, onde as modelos andavam em círculo ao som de uma música altíssima, que de uma hora para outra era interrompida e elas tinham que se fazer de estátua num silêncio desconcertante. Silêncio esse que durava pouco, pois além de deixarem os seus celulares tocando, os fotógrafos aproveitavam para fazer seus julgamentos sobre as modelos em alto e bom som, com escolhas de palavras típicas de quem está em fase de produção de hormônios.
Confesso que fiquei com pena das meninas,que foram altamente profissionais e não saíram do script. Mas não deixou de ser interessante observar o confronto entre dois mundos que normalmente convivem pacificamente, mas em condições limítrofes (ou nem tanto) deixam transparecer suas diferenças estruturais. Human nature at its best and worst.
®Vi lá na Belly e fiz o cleptomaníaco.
P.S.: Alguém já está cansado de ver a Gisele estampada em absolutamente todas as revistas, comerciais e produtos desse país? Ela é linda, merece o sucesso e talz, mas let's talk about some serious overexposure...
P.S.2: Pupo: Lembrei de vc, pq vi a sua musa Exótica lá. Estava desmontada, mas não fez muita diferença...