Daí que a minha empresa resolveu fazer uma ação social no fim do ano e promoveu uma festa de Natal para 2.500 crianças em um centro comunitário no Jardim Ângela. E lá fomos eu e mais 150 pessoas embrulhar presentes, fritar pastéis, fazer cachorro quente, montar árvore de natal, the works. Tudo na parte da manhã, por que à tarde a festa começava com a chegada das crianças. Uma vez começado o baião, eu fui alocado para cuidar das crianças de 2 a 5 anos.
Como assim, Bial?
É isso mesmo.
Eu.
Crianças de 2 a 5 anos.
Confesso que não dá para ficar blasé com aqueles projetos de ser humano pulando em cima de você. Alguns, pedindo carinho, outros batendo (vcs não tem a "noçã" do quanto a pessoa apanhou), outros simplesmente querendo receber um pouco de atenção.
Mas o melhor estava por vir. Quando eu menos esperava, veio um pedaço de gente chamado Leonardo ("é léo, tio"), chutando uma bola na minha direção. Olhei aquele objeto alienígena rolar na minha direção sem muita reação. Olhei para o Leonardo ("é LÉO, tio!") tentando entender o que ele queria com aquela ação.
"Chuta, tio!"
Entre explicar para ele a gravidade da situação e tentar chutar a bola, resolvi arriscar a segunda opção. O Léo ("Aaaaaaté que enfim, tio!") abriu um sorriso e apontou para o gol. Eu ainda com aquela cara de "Como assim, Bial?", mas o aí o Léo já tinha reunido mais outros comparsas e quando eu me dei conta estava jogando futebol com crianças de 5 anos.
É.
Eu.
Jogando Futebol.
Depois de uma longa hora, fui chamado para cuidar da piscina de bolinhas. A cada três minutos, eu tinha que arrancar os anõezinhos de dentro da piscina à força. Beijado por uns, espancado por outros, experimentei assim diumtudo. Lá pro final do samba um deles se recusou a sair da piscina e se encostou num cantinho que ninguém alcançava. Adivinha quem entrou para tirar?
Eu.
Numa piscina de bolinhas.
Criança esperança mai éss. Isso é que é doação.