Sofá dos posts perdidos
Post é que nem f***: adiou, perdeu. Pois é, cantei a bola de que ia dar uma sumida por causa de trabalho e finalmente aconteceu. No pouco tempo livre, acabei privilegiando o resto de vida social que me restou. Aí perdi o post da Bienal, o do Kill Bill 2, o da primeira X-Demente boa de sampa, da festa de aniversário do Jason, enfim, já era. Pelo menos foi tudo muito bem vivido, obrigado, mesmo que nada escrito. Fora tantos outros que te ocorrem no meio de alguma situação e vc pensa na hora que daria um ótimo post, depois esquece e ele cai na dobra do sofá dos posts perdidos. É, aquela dobra entre o encosto e a almofada, junto com aquela chave que te pôs maluco e vc só foi achar depois que chamou o chaveiro.
Agora estou sentado nesse mesmo sofá, pensando em tudo o que eu poderia ter guardado para um dia chuvoso como o de hoje. E o que me veio à cabeça foi uma música do Arnaldo Antunes que eu ouvi quando estava enlouquecendo com o trabalho e me fez sorrir, pela franqueza e simplicidade desconcertante características dele. É a canção de ninar que eu cantaria para o filho que eu nunca vou ter.
Saiba
Saiba: todo mundo foi neném Einstein, Freud e Platão também Hitler, Bush e Sadam Hussein Quem tem grana e quem não tem
Saiba: todo mundo teve infância Maomé já foi criança Arquimedes, Buda, Galileu e também você e eu
Saiba: todo mundo teve medo Mesmo que seja segredo Nietzsche e Simone de Beauvoir Fernandinho Beira-Mar
Saiba: todo mundo vai morrer Presidente, general ou rei Anglo-saxão ou muçulmano Todo e qualquer ser humano
Saiba: todo mundo teve pai Quem já foi e quem ainda vai Lao Tsé Moisés Ramsés Pelé Ghandi, Mike Tyson, Salomé
Saiba: todo mundo teve mãe Índios, africanos e alemães Nero, Che Guevara, Pinochet e também eu e você
Escrito por Antaggio às 20h30
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